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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Nós não deveriamos fazer filhos mais?

 Estava eu, com meus botões pensando na minha vida. Um jovem de 30 anos, sem filhos.

A verdade é que isso nunca me incomodou, não peguei pra mim a missão religiosa de me reproduzir. Ou pelo menos não como objetivo de vida. A verdade é que parando pra pensar, nem é um bom mundo pra se colocar uma criança. Entendem?

Quando eu era criança eu subia em árvores, corria na rua, brincava de pega-pega, pique esconde, queimada, futebol, também tive uma infância no início da era digital, joguei videogame em locadoras de PS2, tive meu próprio vídeo game, fui um assíduo usuário do Yahoo Resposta na adolescência, crítico de música, animes e mangás, fiz amigos virtuais, e joguei online. Um nunca excluiu o outro. No mesmo dia eu podia estar assistindo um episódio de Naruto Shippuden baixado do Naruto Project em RMVB e logo depois me arrumar pra ir em um evento de anime com os amigos, ou fazer um evento com uma guilda em Perfect World e logo depois encontrar meus amigos pra jogar bola. Meu jeito resmungão e mau humorado, desde de criança nunca me impediu de ter uma vida social.

Colocando a conversa de volta da onde ela foi descarrilhada pelo meu excesso de saudosismo, hoje as crianças saem cada vez menos. Seja porque a sociedade nunca esteve tão adoentada e violenta, quanto porque o celular oferece a criança um mundo que pra ela, muitas vezes é muito menos trabalhoso que sair de casa e ter que aguentar outros adolescentes. A verdade é que adolescente é um bicho muito difícil de lidar, mesmo pra nós adultos, imagina entre eles, por isso que bullying existe.

Mas a problemática do mundo de hoje não gira só em torno da violência urbana, e da substituição da vida social pelo smartphone. Ela está, em vários aspectos em toda cultura. Com a proibição da propagando voltada pra o publico infantil na TV, hoje a televisão é o lugar menos interessante do mundo pra uma criança. Nenhuma criança nunca mais vai ligar a TV e ver uma pista de carrinhos mirabolante da Hot Wheels, ou mesmo uma criança hipnotizando a mãe pra comprar batom(chocolate), nem jingles totalmente chiclete que vocês vão cantar na escola com os amigos, a verdade é que a TV aberta é um artefato velho, voltado pra velhos que nunca se adaptaram a tecnologia.

E as guloseimas? Digo, biscoitos e salgadinhos. Antes um pacote de fangandos era o triplo do atual em tamanho. Biscoitos recheados só tem gosto de gordura hidrogenada e açúcar. A comida de “criança” que antes era um oásis no deserto da árdua escolinha, hoje é uma gororoba química rançosa.

Dito isso tudo, vale a pena colocar uma criança pra viver ESSE mundo?


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