Estava eu, com meus botões pensando na minha vida. Um
jovem de 30 anos, sem filhos.
A verdade é que isso nunca me incomodou, não peguei pra mim
a missão religiosa de me reproduzir. Ou pelo menos não como objetivo de vida. A
verdade é que parando pra pensar, nem é um bom mundo pra se colocar uma
criança. Entendem?
Quando eu era criança eu subia em árvores, corria na rua,
brincava de pega-pega, pique esconde, queimada, futebol, também tive uma
infância no início da era digital, joguei videogame em locadoras de PS2, tive meu
próprio vídeo game, fui um assíduo usuário do Yahoo Resposta na adolescência, crítico
de música, animes e mangás, fiz amigos virtuais, e joguei online. Um nunca
excluiu o outro. No mesmo dia eu podia estar assistindo um episódio de Naruto
Shippuden baixado do Naruto Project em RMVB e logo depois me arrumar pra ir em
um evento de anime com os amigos, ou fazer um evento com uma guilda em Perfect
World e logo depois encontrar meus amigos pra jogar bola. Meu jeito resmungão e
mau humorado, desde de criança nunca me impediu de ter uma vida social.
Colocando a conversa de volta da onde ela foi descarrilhada
pelo meu excesso de saudosismo, hoje as crianças saem cada vez menos. Seja
porque a sociedade nunca esteve tão adoentada e violenta, quanto porque o
celular oferece a criança um mundo que pra ela, muitas vezes é muito menos
trabalhoso que sair de casa e ter que aguentar outros adolescentes. A verdade é
que adolescente é um bicho muito difícil de lidar, mesmo pra nós adultos,
imagina entre eles, por isso que bullying existe.
Mas a problemática do mundo de hoje não gira só em torno da violência
urbana, e da substituição da vida social pelo smartphone. Ela está, em vários
aspectos em toda cultura. Com a proibição da propagando voltada pra o publico
infantil na TV, hoje a televisão é o lugar menos interessante do mundo pra uma
criança. Nenhuma criança nunca mais vai ligar a TV e ver uma pista de carrinhos
mirabolante da Hot Wheels, ou mesmo uma criança hipnotizando a mãe pra comprar
batom(chocolate), nem jingles totalmente chiclete que vocês vão cantar na
escola com os amigos, a verdade é que a TV aberta é um artefato velho, voltado
pra velhos que nunca se adaptaram a tecnologia.
E as guloseimas? Digo, biscoitos e salgadinhos. Antes um
pacote de fangandos era o triplo do atual em tamanho. Biscoitos recheados só
tem gosto de gordura hidrogenada e açúcar. A comida de “criança” que antes era
um oásis no deserto da árdua escolinha, hoje é uma gororoba química rançosa.
Dito isso tudo, vale a pena colocar uma criança pra viver
ESSE mundo?
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